Regina Célia é escritora, formada em Letras, membro da AMULMIG _ Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, autora dos Livros Gangorra e Ad versos, alem de crônicas publicadas em jornais e em posts.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

PERO QUE LAS HAY, LAS HAY


A bruxa tá solta! Ouvi o vizinho dizendo aos pedreiros logo pela manha. Daí a pouco o filho mais velho reclama do para casa e diz que não vai a escola e não gosta da bruxa da professora. Termo recorrente hoje! E eu, bruxa que sou, sei que elas existem; embora não creia nelas.

Sofro de bruxismo e tenho corujas enfeitando o meu quarto. Mal uso vassouras para uma faxinada na casa, mas para voar, jamais! Não faço feitiços, mas encanto! Quase me classifiquei como fada agora!

Uso preto mesmo de dia, mas tenho alergia a aranhas e suas terríveis teias. Morro de nojo até de formiga, o que diria das baratas?! Caldeirão pra mim, só de sopa!

Conheci uma bruxa má, daquelas que fazem feitiço, tem dentes abertos e não sabem perdoar... Não disse, mas seus olhos me maldisseram e penso – não creio – que ela tenha costurado meu nome na boca do sapo. Só que antes de morrer de fome e de agonia, o coitado cagou o papel que tinha meu nome.É, na boca do sapo tem dentes!

Ando pouco me lixando para as bruxarias dessa velha má. É uma vítima da própria ambição e inveja. Há anos se contenta com as sobras de tudo o que invejou. Não teve nada realmente de seu, nada proveniente de seu mérito. O que traz como seu pertenceu a alguém que invejou. Pensa então que é capaz. Pensa que é feliz.O sapo a olha indignado, como quem diz:sai desse corpo que nao te pertence!

A propósito, a bruxa tinha mesmo que estar solta hoje... Dia 31 de outubro. Viva o dia das bruxas!

domingo, 30 de outubro de 2011

MANIAS


Tenho algumas manias... Coisas da idade? João Bosco diria, em Bijuterias que sim... Na idade em que estou aparecem os tiques, as manias! Coleciono anjinhos ( de todos os tamanhos), coleciono corujas( fofas!), detesto poeira nas caixas de tomadas e apagadores, nunca mudo as coisas de lugar, sejam móveis, roupas, enfeites,etc.,

Agora dei de colecionar sorrisos- perpetuo-os na memória- poesias, livros, boas músicas... Na verdade não é de agora.Já trago comigo como “defeito de nascença”. O novo mesmo é colecionar show do Vander Leendo! Lindo mesmo! Um sonho de consumo! Musica boa, altura boa, cara boa... TDB! Ai, ai...

Ei-lo no palco reunindo suspiros. Realmente, romântico é uma espécie em extinção, diz a voz que move nossos corações.
No coração mais infeliz, pode crer no que eu digo: Não vou ser triste e nem chorar por mais ninguém... E eu creio. Tudo bem, vou ficar legal. Sabe o que eu queria agora, meu bem...? Sair chegar lá fora e encontrar alguém... Nascer menino, morrer poeta!
Quero outro show do Vander Lee. Ops, Vander Leendo!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cantiga de Bem Dizer


Cresci pedindo a bênção aos mais velhos, aos pais, padrinhos, tios, tias, avós... à doninha da esquina que morreu solteira, ao padre velho da paróquia... Na verdade não pedia a bênção, mas simplesmente “bença”!

Bença, mãe! Bença, Pai! Já vou... E ia feliz, porque Deus certamente ouvia o pedido deles e me abençoava. Os pais bendizem, Deus abençoa! Assim cresci (mais pros lados que pra cima, mas cresci. Pois criança que não pede a bênção, não cresce – dizia a minha avó!)

Quando me vi, estava com apenas 8 anos e já era tia... E bem cedo comecei a bendizer os pequenos, pedindo a Deus que os abençoasse!

O tempo passa, mas certas coisas permanecem em algumas famílias e na minha, o hábito de pedir a bênção não envergonha a ninguém... Nem aos velhos e nem aos novos.
Hoje surpreendeu-me a caçula das sobrinhas, que conta com 5 anos incompletos.

Raramente a ouvimos pedir a bênção, mas estende a mão direita aguardando o rogo divino, beija-nos a face e oferece a bochecha para um beijo habitual. Mas ela quer seu lugar ao sol, quer se posicionar e, a contar pela predisposição dos pais em manter-lhe filha única, tende a não ter sobrinhos a quem abençoar.

Chegou a casa avoterna (casa da avó) e rapidamente tomou as duas cadelas de estimação pela pata direita dianteira, uma por vez, e disse “bença bençoe!” Lindo gesto de bendizer!

Olhamo-nos todos em silêncio. Era isso que ela nos ouvia dizer amiúde... “bença bençoe!” e não “Deus a abençoe”, como realmente falamos. É essa cantilena ao mesmo tempo lenta e rápida que os mineiros – e só os mineiros – possuem.

Embora não tenha compreendido bem as palavras que proferimos, captou bem o seu significado. Grande sujeita que já é, bendiz aos pequeninos.

Bença bençoe todos nós!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Enquanto a Caravana Passa...


Sinto o bafo dos que pensam insultar-me ao me acusarem de tola e viro o rosto, não para nova baforada como faria Jesus, mas para não aspirar o hálito mal cheiroso que emana dos que não crêem nas pessoas. Eu creio.

Espreito esquinas de onde surgem olhares esquivados sobre a vida alheia. Passo reto. Indiferente àqueles que já vi, mas finjo que não. Metida! (Sussuram)

Sensibilizo-me com o cãozinho atropelado, com a criança que calça dois pés diferentes de chinelo, com a tremura dos joelhos do velho que teme atravessar a rua na passagem de pedestres... Falo sozinha, rio de mim mesma e ralho com alguns de meus pensamentos abusados!Chamam-me ridícula por isso.

E eu acho a palavra ridícula perfeita!

É ridículo, deveras, verter lágrimas por coisinhas tão bobas! É ridículo amar! Ser feliz, então, é mais que ridículo, mas a palavra “ridículo” é tão perfeita que não carece de mais nada para se fazer entender. Assim, todos querem o ridículo, mas temem o ridículo e dizem que é ridículo o ridículo...

Enquanto isso, vou a passos lentos, tolamente sorrindo, às vezes chorando,. Ridiculamente sonhando e na peleja para me manter tola , metida e ridicula. Mas prenhe da certeza de ser bem diferente, ou seja, indiferente aos cães que ladram.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cones Malditos



Uma simples volta ao centro de Barão de Cocais é suficiente para identificar o incrível aumento do tráfego viário de nossas ruas. Milhares de veículos disputam os pouquíssimos locais de estacionamento in tesi disponíveis.

Pedestres se amontoam próximos às passagens demarcadas para sua travessia à espera de que o bom senso permita o deslocamento em segurança. Alguns motoristas param e acenam para a travessia dos que esperam, mas nem sempre as motos que os seguem colaboram e saem costurando entre os carros que aguardam e os pedestres que se arriscam...

Atendendo a pedidos, peço licença aos leitores para colocar dois cones sinalizando o comentário a seguir:
(abre cone) Esses instrumentos para sinalização viária consistem em um dispositivo de controle de tráfego, auxiliar à sinalização, de uso temporário, utilizado para canalizar e direcionar o tráfego e delimitar as áreas. Em Barão, a policia o utiliza, frequentemente, próximo a Praça Nossa Senhora Aparecida, exatamente para direcionar e canalizar o tráfego no local, mas se esquece que o uso deve ser temporário e os cones ficam ali, dia e noite! Mototaxistas, no uso irregular de usa profissão, saem utilizando da serventia dos cones para delimitar áreas e tomam posse das vias públicas e dos poucos locais livres para estacionamento, como áreas privativas. E são muitas! A farmácia – ia me esquecendo – apesar de possuir sinalização específica de estacionamento para clientes permitido por tempo limitado, também cooperou com a fábrica dos cones e tascou mais dois ali! O dono do mercado coloca caixotes em lugar de cones, o lojista se esmera em manter seus cones limpinhos, a loja de móveis, que possui uma ampla área para ser utilizada como estacionamento para clientes, monta o seu show room de colchões e sofás do lado de fora e coloca duas cadeiras plásticas amarradas por uma fita zebrada, impedindo que o bobo do cliente estacione para fazer as suas compras e, aos poucos, todos vão delimitando suas áreas , que não podem ser do cidadão comum, nem do cliente, nem do ciclista... As áreas estão demarcadas por seus proprietários com os “cones malditos”!.(fecha cone)

Uma feiúra total, é o que se pode ver. Comparemos o comercial de veículos, em que os pôneis malditos cantam odeio barro, odeio lama... não vou sair do lugar - Os cones malditos insinuam “odeio carro, eu sou sacana, não vou sair do lugar!

Se você não picar o pé em pelo menos um cone maldito de Barão de Cocais essa musiquinha não vai mais sair de sua cabeça... ♫ ♪ La,ra,la, ra la, la, la ♫ ♪ (que nojinho!)

domingo, 2 de outubro de 2011

Admirável semana nova


Você acaba de acordar e passa pelo espelho antes de ir ao banheiro. O que vê? Uma cara amassada, remela nos olhos, os cabelos de pé, que acordaram muito antes de você! Claro, você foge daquela visão medonha , mesmo que more sozinho.

Se é homem, a barba despontou desalinhada e com dezenas de fios brancos que não estavam ali no dia anterior...

Se é mulher, clama por um photoshop no espelho (aquela não pode ser você!).

É assim com todo mundo! A realidade nua e crua é essa: somos pessoas normais e precisamos de um tempo para ficarmos aparentemente sociáveis.
Um banho, uma escovada nos cabelos, água fria no rosto e já vai começar a segunda-feira.

Quase nunca acordamos, de verdade, para a vida antes das 9 da manhã de uma segunda-feira. Desde as 8 horas podemos já estar em reunião, mas nosso cérebro somente processa as informações depois que o famosíssimo relógio biológico (suíço) ativa nossos neurônios.

A semana promete!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

QUE RUFLEM OS TAMBORES


Esta semana assisti a uma das cenas mais desagradáveis de minha caminhada profissional. Em cumprimento a determinação superior compareci a uma reunião ordinária da Câmara Municipal na terça-feira, dia 13 de setembro, às 19 horas.

Após declarada aberta a sessão, em nome de Deus, o local, que deveria ser a casa do povo e tratar de assuntos de interesse da coletividade fora transformado em uma arena de gladiadores.

Por um lado, os trâmites protocolares e regimentais de uma reunião previamente agendada, seguindo o ritual oficial. Por outro, homens de preto alheios às intermináveis leituras de atas e expedientes que pautariam a reunião.

Formidavelmente, todos os vereadores compareceram, seja por cumprimento do dever, seja por interesses escusos de se fazerem ouvir pela transmissão da radio local, penetrando os lares e violentando a vergonha dos ouvintes que se dispuseram àquela tortura.

Sim, tortura! Horas ao som de microfones cuspidos diante do horror do melodrama representado, na lateral , quase a fazer chorar, tamanha a respeitabilidade proclamada por quem se veria, brevemente, desmascarado diante de todos os presentes.

Um pouco mais adiante, dedos em riste acompanhados de adjetivos nada elogiosos à excelência ofendida. Uma catarse!Todos falando ao mesmo tempo como em Babel, cada qual em sua língua.

Que ruflem os tambores!

Tivesse sido engraçado tudo o que se passou ali, o prédio poderia ser coberto por lonas coloridas e teríamos um grande circo. Claro que os palhaços seríamos nós! Mas como a cobertura é de laje, por pouco não se confirmava no local um hospício. Loucura o que se passava diante de nossos olhos e invadia nossos ouvidos.

Felizmente atitudes enérgicas e emergenciais foram tomadas a tempo e o microfone extasiado foi desplugado da caixa de som.

Diz o velho ditado que de médico e de louco todo mundo tem um pouco, mas alguns são avantajados nesse quesito. Em se tratando de uma reunião de excelências, poderíamos dispensar tanto o aspecto médico como o louco... Tenso isso!

E apesar da tensão, um certo alivio pairou no ar.

Quase sem condições de retorno a assembléia seguiu seu curso alem do normal até depois das 23 horas. Paranormal? Anormal?Nada normal.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Conversa Afiada


Em tempos modernos pouco se sabe sobre valores. Financeiramente falando ainda restam algumas noções , embora poucas. Mas os valores morais, familiares, fraternais, humanos, cadê? Aonde foram parar? Por que as famílias, as escolas, as empresas, a sociedade não conhecem mais os ditos valores, dos quais podemos citar a verdade, a retidão, a paz, o amor, a não-violência, o respeito, a ética? Oh anos de sexo, drogas e rock and roll... Era este o mundo de libertação tão sonhado?

É hora de acordar para uma existência mais humana, mais cidadã, mais patriota! Pais e filhos que não se respeitam, não respeitam o vizinho, não respeitam os professores, não guardam os ensinamentos dos mais velhos.

Guardar ensinamentos é algo muito cafona mesmo... O mundo de hoje é de transferências diretas em up load e informações instantâneas, em tempo real... Jus t in time... O que se guarda é obsoleto, não é mesmo?

Numa sociedade em que impera a violência, a mentira, a corrupção, o desamor, o desrespeito falar em valores morais, valores humanos pode parecer ridículo! Não me importo! Ridiculamente clamo, imploro, insisto para que pais, educadores, igrejas, polícias, poderes executivo, legislativo e judiciário se mexam!

Coisa linda uma criança pedir a bênção aos pais, tratar a professora com dignidade e respeito, reconhecer nas diferenças as semelhanças, marchar em 7 de setembro, fazer barquinhos de papel em dias de chuva...

No entanto, como a ética entrou em nave espacial e zarpou deste mundo, os noticiários não cessam de exibir pais que atiram filhos pela janela, bulling em todos os lugares, arrastões de crianças aterrorizando lojas nas grandes cidades...

As escolas tinham por meta a formação de homens e mulheres de bem e reprovavam, faziam repetir o ano até que se aprendessem as lições, oferecendo uma nova chance de ser “gente”, mas e hoje?Não reprovações... O sistema visa às estatísticas. Não se fala em educação sem falar em números, metas numéricas, índices. Alguém já viu a estatística dos cidadãos ativos e de bem formados para o mundo? Mas certamente já reconheceu, estampado nos jornais, o rosto de um conhecido que foi preso, foi morto ou foi agredido.

Boa parte das igrejas deixou de lado a espiritualidade e se tornaram alavancas sociais gritando pelos excluídos, pelos pobres, desvalidos... Aderiram ao Movimento dos Sem terra, sem teto, sem vergonha.

O que faz o mundo ser mais digno para se viver? Você já parou para responder a essa pergunta? Em que estamos contribuindo para que nossos filhos tenham um mundo melhor ou para que o nosso mundo tenha filhos melhores?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Falando Sério


Passei a tarde ouvindo Chico E dentre as suas belas canções ouvi , repetidas vezes, Tanto mar, que reverencia a “Revolução dos Cravos”, a qual pôs fim a uma longa existência da censura e ditadura de Salazar nas terras lusitanas. O cravo vermelho, símbolo da nação portuguesa, foi distribuído pela população agradecida, aos soldados que se rebelaram contra o regime salazaista, que o exibiam nas lapelas, nos rifles e canhões, simbolizando também a paz. Vontade de ter estado lá!

E vem o grito pacifista antinuclear de Rosa de Hiroshima, retumbando no fundo de nossas mentes e corações como espasmos antiatômicos; O fino do brega entoa “E viva a Rosa”, nos barzinhos , os músicos não param de cantar velhas cantigas, que desejam que o cheiro de uma flor perfume a América do Sul ou que prometem:na mão direita rosas vou levar!

Drummond associa a Flor e a náusea e garante: Uma flor nasceu no asfalto. É feia, mas é uma flor! E a essa altura do campeonato, uma rosa nunca mais desabrochou...Volta o Chico cheio de interrogações sobre o que está havendo com as flores de seu quintal: O amor-perfeito, traindo; a sempre-viva, morrendo e a rosa, cheirando mal! Falando sério... eu queria não falar.

Sinto coçar a palma das mãos e quando isso acontece, falo pelos cotovelos.

Intuem-me os anjos de luz a falar pelos oprimidos, pelos desvalidos e fracos. Os mosqueteiros se travestem de anjos e fazem-me crer no amor, na justiça e na paz...

Falando sério, eu queria não falar...

Mas pra não dizer que não falei das flores - tal como Vandré! – Aproxima-se a primavera e os jardins explodem em botões multicores... Os ipês amarelos estão que é uma beleza!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Um Toque


Ao longo de nossa existência tocamos as pessoas... às vezes de forma muito direta e profunda, às vezes superficialmente, noutras quase não se sente o toque, mas não passamos desapercebidos. Nossos gestos, nossas ações, nossas intenções afetam aqueles que nos cercam, inevitavelmente. É como um deslocamento de ar... um sopro, um vento...

Um levantamento superficial nos aponta as principais movimentações de ar e que podem ser comparadas à maneira como tocamos as pessoas:

Vento: termo genérico que identifica o ar em movimento, independente da velocidade

Brisa: é um vento de pouca intensidade,

Ciclone: Caracteriza-se por uma tempestade violenta com velocidade superior a 50km/h

Furacão/tufão: vento circular forte, com velocidade igual ou superior a 119 km/h.

Vendaval: vento forte com um grande poder de destruição, que chega a atingir até 150 km/h. Ocorre geralmente de madrugada e sua duração pode ser de até cinco horas.

Tornado: é o mais forte dos fenômenos meteorológicos, menor e mais intenso que os demais. Com alto poder de destruição, seus ventos atingem até 500 km/h.

Arroto (nome vulgar para eructação), freqüentemente acompanhada de som característico, ocorre quando gases do estômago são expelidos através da boca. É causada, em geral, pela liberação do ar engolido ou de dióxido de carbono produzido no estômago.

Pum, Peido, Flatulência ou flato (do latim flatus, sopro) é uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e tem um cheiro fétido

Parece engraçado, mas o que fazemos é como o vento! Não se vê, não se aprisiona, mas não dá pra não sentir. Você já parou para verificar de que forma toca as pessoas: Qual o seu poder de ação sobre elas? Quais os efeitos você deixou depois que partiu?

Quantas vezes você é uma brisa que refresca, acaricia e faz sentir bem: Quantas vezes é um ciclone ou um tufão que faz temer, é violento e assustador?E aquelas brigas de madrugada, que parecem não ter fim, não podem ser comparadas a um vendaval que destrói sonhos e projetos? Um tornado... esse atinge ainda mais pessoas! Seu poder de destruição é arrasador e deixa um rastro de tristeza e sofrimento (Deus nos livre de agirmos como um Tornado!). Coisa triste é tocarmos as pessoas pela boca... como um arroto! Palavras ditas em ocasião inoportuna que podem causar constrangimento e mal estar... e o Pum então? É o que geralmente precede uma cagada. Se de repente seus gestos começam a afastar as pessoas e elas não resistem a uma cara de nojo, cuidado! Você está prestes a jogar titica no ventilador e isso não é nada bom!

domingo, 21 de agosto de 2011

Contrapondo o constrassenso



Viver em uma cidade do interior, em franco desenvolvimento, localizada dentro de um raio de cem quilômetros da capital, tem vantagens e desvantagens. A sobrepujança da manutenção da cultura e da tradição, níveis menores de violência, acesso à natureza, patrimônios e sitios são algumas das características incluídas nas vantagens. As desvantagens, por sua vez, se aplicam à inevitável aculturação, que modifica as tradicionais performances interioranas, às ínfimas oportunidades de lazer e entretenimento, à absoluta falta de concorrência que inflaciona o custo de vida, aos cartéis instituídos, ao pseudo- poder dos playboys filhos de papai ou bastardos filhos do meio social. E é neste aspecto que firmaremos nosso olhar.

Frutos viçosos de uma geração emergente, mal completam 18 anos e já possuem um automóvel. Os de pais abastados circulam com veículos importados. Outros possuem veículos mais populares, mas com algo em comum aos primeiros: o estrondoso dom automotivo, que, não raro, valem mais que o próprio carro!

Interessante, mas fora da meta proposta, é que os rapazes das gerações anteriores sonhavam, com um carro, lutavam para adquiri-lo, a fim de levar a namorada para um passeio, uma viagem, etc. Hoje, tão logo deixam os cueiros, assumem o volante, enchem os carros de outros rapazes e saem desenfreadamente pelas ruas, mesmo que numa cidade do interior, como Barão de Cocais. Deve ser a já citada aculturação, que modifica os modos e costumes, não é mesmo?

Pois bem, esses a quem chamo de pseudo- pderosos não são tão pseudo assim! Detêm o poder sobre quem pode ou não pode se conservar no sagrado recinto de seu lar e ver TV, ler um livro ou dormir em paz. Decidem quem e onde se pode encontrar amigos e bater papo, em tom normal de voz, sem ter que gritar

Coisa desagradável é ter que compartilhar com esses rapazes uma música, num som fora dos níveis de tolerância, que causa estresse e irritabilidade, perturba o sono, trinca as vidraças, além do duvidoso gosto musical de seus divulgadores.

Eguinha Pocotó, Popozudas, Tapinhas que não doem, Rebolations, enfim, Axé, Sertanejo universitário, funk , pagode de corno... É tanto lixo ao gosto popular, que cada um deveria curtir de forma privativa, com fone de ouvido, no sagrado recinto de seu lar...

Gosto sim de MPB, de clássicos, um pouco de pop rock nacional e internacional... Tenho minhas preferências musicais e me dou ao prazer de ouvi-las em meu quarto. Os motoristas que trafegam pela minha rua não são expostos ao meu gosto musical, nem os pedestres ou os vizinhos... Por que teria eu que conviver com o contrário?

Como se já não bastasse, tem ainda as propagandas volantes, o carro do peixe, o vendedor de abacaxis, o evento que vai ser realizado, a queima de estoque da loja de confecções, a sessão de desencapetamento de alguma igreja, o circo que chegou...

Em que pesem as leis, favorecem o bem estar e é dever do Poder Público, das Polícias e do Ministério público zelarem para que essa algazarra, proveniente da emissão irregular de ruídos, ou sons não ocasionem perturbação à segurança viária, ao sossego público e ofendam o meio ambiente, afetando o interesse coletivo e difuso de um trânsito seguro e da qualidade de vida, resultando, na maioria das vezes, em desconforto, indignação e descrédito no cumprimento da legislação.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

In Extremis



Saudade Crônica (ou Crônica da Saudade)

Nos últimos dias, a despeito de um merecido descanso, agarrei um modo profundo de repensar a vida... Sobrevieram-me sentimentos confusos, doces, amargos, estimulantes, interrogativos, novos, derradeiros. Todo antagonismo próprio de quem pensa. E logo, existe.

Reli alguns poemas meus e três excertos poéticos levaram-me a escritura deste texto: 1 – “ A angustia dói”; 2 – “Sou fraca pra dor e aquebrantada de solidão”; 3 – “Sofro de saudade antecipada”.

Quantas e quantas vezes somos acometidos por dores que não são físicas, mas doem? Quantas vezes sofremos mesmo não sabendo discernir o que é angustia e o que é saudade? Não seria um tipo de doença?

Por definição, uma Doença crônica é uma doença que não é resolvida num tempo curto, definido, usualmente, em três meses. As doenças crônicas são doenças que não põem em risco a vida da pessoa num prazo curto, logo não são emergências médicas. No entanto, elas podem ser extremamente sérias, e várias doenças crônicas, como por exemplo, certos tipos de câncer, causam morte certa.

Seria a saudade uma doença crônica, uma vez que, comumente, dura e dura e dura...?
No dicionário Aurélio, saudade significa: “Lembrança nostálgica e ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia”. “Pesar pela ausência de alguém que nos é querido”.

Como sentimento ou sintoma, sua existência é global, convivemos com ele diariamente. Já como vocábulo não. Apenas a nossa Língua Portuguesa se atreveu a defini-la e traduzi-la , em virtude de sua riqueza semântica. Temos o privilégio de sentir tudo o que pode ser entendido, mundialmente, como saudade e definir tudo em uma única palavra: saudade!

Nenhuma outra língua, por mais que tenha usado de recursos lingüísticos e vocabulares, conseguiu expressar com precisão seu real significado.

Mas a saudade não escolhe povos ou línguas! Ela existe. Simplesmente existe. De repente um cheiro, uma música, uma fotografia podem arrancar dos nossos corações um suspiro, uma lagrima de saudade, um rio de dor, o desejo desesperado do reencontro!

E a gente, a confirmar a Bilac, “Certo perdeste o senso!” e a desejar, no íntimo “Nunca morrer assim, num dia assim! De um sol assim...”