Regina Célia é escritora, formada em Letras, membro da AMULMIG _ Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, autora dos Livros Gangorra e Ad versos, alem de crônicas publicadas em jornais e em posts.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ao Mestre, com carinho

Entrou outubro e com ele a renovação de esperanças, a celebração da vida, as homenagens que se multiplicam no décimo mês do ano a diversos profissionais.
Todos muito dignos de serem lembrados, todos importantes! Mas um, em especial, merece uma maior consideração: o professor!
Preceptor, professor, educador! Quanta luta, quanto sacrifício, quanto desprendimento e quanta dedicação pela causa, por amor à vocação... Não. Não é  apenas profissão. É vocação! Dom insuflado por Deus. Uma lágrima por cada ser alfabetizado, um sorriso por cada letra desenhada... Só pode ser obra de Deus!
Houve um tempo, não muito distante, em que o professore era autoridade nivelada ao pároco, ao prefeito, ao juiz e ao delegado.
  ainda povos que cultuam a pessoa do professor, como no Japão(dizem) onde o  único profissional que não precisa se curvar diante do imperador é o professor, pois segundo os japoneses, numa terra que não há professores não pode haver imperadores.
Curvo-me, portanto, em homenagem aos professores... todos! E dentre tantos que passaram por minha vida, abraço, merecidamente, Dona Zélia de Barros Duarte, a quem fui submetida à minha primeira avaliação  de leitura. Uma vez aprovada, nunca mais parei! Obrigada professores!

Outubro/2012

domingo, 20 de janeiro de 2013

Santo de casa

Eu conheço um homem  que é capaz de transformar sucatas em belíssimos adornos e utilidades. De ferros retorcidos  ele faz móveis, luminárias, vasos, troféus, molduras, relógios, coqueiros, pássaros, borboletgas, souvenirs... O ferro oxidado brilha ao seu toque e o metal brilhante se enferruja com suas pinceladas.

Eu conheço um homem, operário aposentado, que fez de sua busca uma arte e de seu talento uma alquimia. Ao seu toque, nada fica da mesma forma.

Seus trabalhos como artesão já ganharam o mundo e sua simplicidade o torna único.
Eu conheço um homem que transfere para a aspereza do descartável a singeleza de seus sonhos de liberdade, a expressão de seus desejos...

Gilberto Antonio de Paula fez de Barão de Cocais a sua terra. Aqui ele é de casa, mas diz o ditado que  Sano de casa não faz milagres! Ele faz. Eu acho.

Guerreiros medievais fazem a sentinela de sua obra, anjos trombetam a anunciação e o homem, que clama por liberdade, transforma gaiolas em luminárias na tentativa vã de aprisionar a luz. Porém mantém as portas abertas.

Set/2012

Quimeras





Uma pequena viagem pela história , um mergulho na poesia, um momento de sonhos... Um convite. Vem comigo?

A cidade real de Pasárgada foi fundada pelo rei Ciro quase quinhentos anos antes de Cristo, para ser uma das capitais do Império Persa. Em 530 a. C., o Império Persa se estendia do Mar Mediterrâneo oriental até o Rio Indo (rio que corta a atual China, Índia e Paquistão na Ásia). Para se ter uma idéia  da extensão territorial do Império Persa,conquistado pelo rei, Ciro,  compreende os seguintes países atuais: Irã, Iraque, Síria, Líbano, Jordânia, Israel, Egito, Turquia, Kuwait, Afeganistão, parte do Paquistão, parte da Grécia e da Líbia.

A cidade de Pasárgada era um dos domicílios oficiais do rei e significa “Campo dos Persas, um local de descanso do guerreiro, um lugar bonito e agradável de se viver.

Manuel Bandeira provoca-nos com o poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, que constituiu um “arroto” poético, uma fuga para um lugar distante e seguro, prazeroso e cômodo e que sendo “amigo do rei” não abdicaria da efetiva receptividade e comprometimento do governante.

Todos queremos um paraíso de delicias  no qual possamos usufruir apenas de bons momentos, um lugar que, tal qual o poeta, quando estivermos tristes, mas tristes de não ter jeito! Quando de noite nos der vontade de nos matar,possamos nos apegar à idéia de que somos amigos do governante, o qual tudo fará para que estejamos bem.

E é nesse estágio de contemplação, de letargia, de descrença real que vive quase todo país hoje. Submersos e submisso no chamado período eleitoral, sonhamos com  um lugar bom de se viver, um lugar que nos proporcione comodidade, segurança e prazer... Que tenha  um  governante amigo da população, alguém que emane do povo e conheça as mazelas de seu povo.

Quimeras? Talvez.

Por uma possibilidade de sonho, por uma possibilidade real que faça de nossa terra um jardim de delicias, uma nova Pasárgas! É pra lá que eu vou.
Agosto/2012

sábado, 4 de agosto de 2012

Apenas



O tempo não nos pede muito... Apenas um pouco de cada vez, mas é implacável! Não poupa ninguém e a todos deixa a marca de sua passagem, seja física ou emocionalmente...

Os avanços tecnológicos, a medicina e a ciência passam o tempo tentando minimizar as marcas do tempo e equalizar as suas afetações.

As rugas aparecem, o corpo fica flácido, os cabelos se orvalham, os olhos serenizam ... quase sempre é assim.

O que, de fato, o tempo nos deixa e nos leva?

Aonde vão parar a  inocência da infância, a vitalidade da juventude, a sisudez do adulto? Porque a criança que existe em todos retorna quando o corpo se curva à ação do tempo, o andar volta a ser inseguro e a memória descarta boa parte do que acumulou ao longo do tempo?

Não se ganha e nem se perde tempo, pois ele não se detém. O tempo não pede licença para criar dunas ou abrir caminhos. O tempo apenas passa...

O tempo não dá explicações. Leva o que lhe convém  ou deixa-nos o que nos convém? Não permite barganha, não aceita oração. O tempo, chronos ou kayros é soberano, senhor de todas as coisas, pai dos segundos que formam séculos, pai tirano que aos filhos devora.

O tempo não para!

Ele passa incessantemente. O tempo apenas passa.



Belinha


Belinha chegou com seu companheiro para passar algumas horas conosco. Somente o tempo de sua nova dona cumprir a jornada de trabalho e ir-se embora. Chegada a hora, a nova dona partiu levando apenas o companheiro de Belinha, deixando-a para que um parente a buscasse posteriormente. Mas esse dia não chegou.

Quando percebemos já estávamos todos envolvidos por aquele ser peludo e carinhoso.

Uma linda convivência que durou anos! Belinha enfeitava a janela, apossava-se das poltronas, rosnava para qualquer estranho que ousasse dirigir-lhe um olhar desafiador ou roubar-lhe a companhia

Belinha ia ao salão de beleza, vestia roupas de acordo com a época, era cuidada pelas doces vizinhas nos finais de semana e procurava a saudade nas paredes da casa de pau-a-pique.

Um dia foi morar com a Felicidade, arrumou um namorado, teve filhotes...

Um dia Belinha se foi.

Deixou seu carinho gravado em nossa memória. Sua existência na tela pintada por Leco. Sua presença ainda muito viva no meu coração.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nas Entrelinhas 1


A Conferencia da ONU estende-se por horas  fazendo buracos n¨água... Planeta sustentável, viva a natureza, preserve o meio ambiente... Toneladas de papel para se escrever sobre isso e mais árvores sendo derrubadas para fazer o papel que se consome ao se pensar na preservação ambiental.

A Rio +20 estuda alternativas que foram apresentadas na ECO 92 e que também não saíram do papel. Mais do mesmo!

Pesquisas indicam que para se produzir uma tonelada de papel (cerca de dez mil jornais nos quais se publicam, diariamente, as notícias da conferência) são necessárias de 10 a 20 árvores de tamanho médio... Haja árvore para ser derrubada!

Meu quarto é um bom lugar pra ler um livro... e tudo me divide! Meus olhos cansados e fragilizados me lembram que a idade impõe algumas limitações (capricho da mãe natureza) e a leitura é adiada.

É preciso que as letras sejam maiores, mas isso gastaria mais papel e mais árvores teriam que ser derrubadas para satisfazer às necessidades de uma leitura mais confortável . Por enquanto, basta o dia frio.

Um dia frio. Um bom lugar pra ler um livro... Esse tem sido um dos meus desejos nos últimos tempos! O primeiro dia do inverno foi quente, mas para não aprofundar no assunto valho-me das máximas típicas de nossos avós: enquanto o homem não respeitar a natureza, sofrerá as conseqüências de sua ira. Aquecimento global.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quero de Novo Cantar


Botei reparos em uma fotografia na qual meus olhos transmitem uma tristeza sem pedigree, como a tristeza de Adélia Prado. De onde viria aquela sombra? Por certo eu cuidava da vida antes que a morte ou coisa parecida viesse a arrastar-me, como magnificamente cantou Belchior em Na Hora do almoço.

Deixo que a  fotografia marque a página do Livro de Neruda que já li diversas vezes e vou-me embora meio que triste. O poeta chileno (universal) me antecipara:"Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.” 

Noticias tristes se amontoam nos telejornais. O vizinho triste ouve uma canção muito triste, do Renato Russo,  também e vem de repente um anjo triste perto de mim...Tiro um CD da pilha e o coloco no aparelho de som . quero um samba! Uma bênção! Afinal, “ É melhor ser alegre que ser triste”, mas o poetinha atrevido, Vinicius de Morais,faz uma elegia à tristeza (des)necessária de cada dia: “Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza...”

Gente, o sol ta lindo lá fora, propicio à uma bela leitura dos poemas de meu amado  Quintana! “Eu escrevi um poema triste e belo, apenas da sua tristeza.”

Quer saber? Ta Na Hora do almoço! (Ainda sou bem moço pra tanta tristeza!)

sábado, 5 de maio de 2012

Através do espelho de Alice


Um espelho na parede parece convidar a novos desafios. Esse espelho refletiu um rosto que o meu contemplava mas que  não me pertencia. Quem seria aquela figura estranha a me olhar  de maneira penetrante, mas sem a vivacidade que me acompanha? A maquiagem, muito bem feita, disfarça  linhas, rugas e poros abertos, mas a tez não corresponde ao olhar, que vez ou outra pisca soluçando.

Um grito de criança faz-me virar para o lado  e quando volto a olhar o espelho aquele rosto já não se encontrava emoldurado na parede.

Esse momento de íntima  visão encabulou-me sobremaneira.A pergunta que me acompanha há quatro décadas ecoa novamente: Quem  sou eu na verdade? Seria eu a que me vejo ou a que se viu? O olhar que me acompanha é o que vê e brilha  ou o que permanece inerte no espelho emoldurado? Onde eu me perdi entre o que olha e o que vê?Um sorriso que não esbocei se exibe no espelho como um aceno.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Lenda do Grito da Mata


Diz a lenda que para uma lenda ser aceita é preciso ter um fundo de verdade, apesar do seu realismo fantástico.
A lenda que ora anuncio tem a sua origem no Sitio Arqueológico da Pedra Pintada, localizado na  Serra do Garimpo, Distrito de Cocais em Barão de Cocais.
Quem freqüenta esse paraíso pode ouvir nitidamente o barulho da cachoeira e ao longe o eco de um grito histérico abafado pela mata abundante da região.
Em um tempo não muito distante, estando o Sr. Zé Diniz a carpir sua roça de milho e Dona Maria a assar quitandas deliciosas no forno de barro existente no terreiro para agradar algumas visitas, eis que uma das visitantes se encanta com um pé de mato florido em cachos e sobre o qual Dona Maria discorria suas  propriedades medicinais: Esse mato é sabugueiro...Ajuda nas inflamações, é anti diarréico, ótimo para crianças com doenças como o sarampo e a catapora. O chá das flores secas do sabugueiro é utilizado contra resfriados, gripes, anginas e nas enfermidades eruptivas, como sarampo, rubéola, varíola e escarlatina, por provocarem rapidamente a transpiração.
O chá das cascas, raízes e folhas é indicado para combater a retenção de urina e o reumatismo. Além disso, o chá da frutinha purifica o sangue e limpa os rins. A gente deve colocar galhos de sabugueiro nas portas e janelas das casas para impedir a entrada do mal e  para proteger dos feitiços das bruxas e espíritos malignos...
Dizia ainda  que de sua madeira fora feita a Cruz do Calvário, e por esse motivo, dava azar cortar um tronco de sabugueiro, mas as flores poderiam ser colhidas. Contava enquanto fazia um belo buque das flores de sabugueiro, até que  , de repente, algo muito nojento, preguento e gelado grudou na mão da atenta ouvinte e nao se sabe quem arregalou mais os olhos a perereca verde que fora expulsa das folhas do sabugueiro ou a dona do grito que ecoa até os dias de hoje nas grotas da mata do garimpo. Dona maria ria escandalosamente e o Sô Zé Diniz chegou aterrorizado com o grito ouvido, dizendo ser da Mãe da Mata, pela dor das agressões sofridas.
Muitos tentam entender o estranho som que acompanha a serenata da cachoeira, mas para que a lenda persista muitoainda ha que se falar no Sabugueiro. Observe-se que a varinha mais poderosa do Mundo Mágico de Harry Potter é uma varinha feita de sabugueiro conhecida como a " varinha das varinhas” .
Nunca mais cheguei perto de um sabugueiro, que pode espantar maus espíritos, mas acolhe em seus galhos a nojenta perereca verde  e gela até hoje a minha mão. Eu, curupira avessada, acho que sou uma lenda viva.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Um par de chinelos


Nasci no tempo errado. Pelo menos é o que as situações apontam. Nasci velha, mente amadurecida e corpo cansado... Nos dias de chuva não me importo de me molhar, pois não uso cabelos escovados e nem chapinha... Já ao sol, não saio sem sombrinhas... Embora nunca volte para casa com elas. Em que lugar do universo vão parar todas as sombrinhas e guarda-chuvas que perdemos???

Nasci num tempo em que a magreleza anoréxica é moda que não apenas se curte, mas também se compartilha, sou obesa.

Vivemos na moda do ecologicamente correto e os prédios mantêm cartazes dizendo pra dar preferência às escadas. Eu pago até um extra pelo elevador.

Os sapatos de salto, que não foram exatamente criados para as mulheres, mas para homens e para apresentar o status de seu usuário, foram estigmatizados como sinônimo de beleza, de feminilidade, de status, de altivez... (Eu odeio estereótipos!!!) E embora haja diferentes opiniões a respeito dos saltos altos, alguns como origem das "chopinas" (blocos de madeira utilizada como base/solado, onde o calçado era confeccionado), provenientes da China ou Turquia, eram sandálias com plataformas onde a altura dos solados apontava o nível social e chegava a atingir 40 cm. A mulherada desocupada resolveu aumentar a estatura valendo-se do recurso e há registro de casos  de senhoras da corte que elevaram suas plataformas até 70 cm e precisavam às vezes de dois criados, um de cada lado para conseguir o equilíbrio, as chopinas foram inicialmente utilizadas pelos nobres, passando pela burguesia e chegando as camadas sociais mais baixas, daí foram desprezadas pela elite, sendo que as últimas as utilizarem as chopinas foram as prostitutas.

Porque mesmo falei dos saltos? Ah sim, porque não nasci no tempo em que as sinhás eram carregadas em liteiras por escravos fortes e luzidios...Aliás, não seria sinhá! Nasci depois que um  certo rei Luis XV inventou o salto fino e os governantes resolveram calçar as ruas com pedras, paralelepípedos  ou mesmo deixá-las esburacadas.

Não sei o porquê de alguns idiotas olharem e se sentirem atraídos por pés esmagados num sapato de bico fino e salto alto.Olhem que o bico fino fora abolido e proibido no século XVI pelo  rei Francisco I da França, que  decretou o fim deste tipo de calçado e ainda no século XV, este tipo de pontas aguçadas foi proibido pelo rei da Inglaterra Henrique VIII , por ter pés largos e inchados, achava esse tipo de calçado inconveniente e doloroso. A partir de então foram aceitos os chinelos rasteiros com base larga e muito mais confortáveis.

Se o rei Henrique VIII não tivesse sido tão malvado com o clero, que se recusava a obedecê-lo como cabeça da igreja, na minha próxima audiência com o Papa iria sugerir a sua beatificação. Só um santo homem poderia proibir o desconforto dos pés! Um par de chinelos, por favor.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Sem gato na tuba


Os instrumentos de uma Banda de música estão divididos em sopro e bateria. Todos os instrumentos possuem características próprias, colocando-se numa apresentação, segundo as conveniências do Mestre e dos músicos presentes. Há, de certa forma, uma preferência em dispor os músicos por naipes ( por naipe entende-se cada um dos grupos de instrumentos em que é dividida a orquestra. ) E, embora o número de componentes de uma Banda não seja específico,  para cada instrumento de percussão deve-se  ter , pelo menos, quatro de sopro.
Em 1994, quando da realização do III encontro de Bandas de Barão de Cocais, recebi a mais linda homenagem... Os músicos de 27 bandas executavam sob a regência do Maestro João Paulino, uma música que me faria chorar. Cada instrumento dizia, com sua própria voz: "amo você assim e não sei porquê tanto sacrifício...Coisa bonita, coisa gostosa, quem foi que disse que tem que ser magra para ser formosa?"
A música prosseguia... linda em harmonia, linda em emoção, linda... Cem por cento linda! As pessoas começaram a dançar e aquilo virou uma grande festa. Uma festa que jamais sairá  de minha memória.
Em 2005, para comemorar o 100º aniversário da Banda Santa Cecília, de Barão de Cocais, realizamos o IV Encontro  de Bandas , considerado um dos maiores eventos do gênero que se tem conhecimento no Estado de Minas Gerais e que contou com a participação de 34 bandas de diversas cidades mineiras.
E a nossa velhinha banda continuou linda e viva, cada dia melhor, diga-se de passagem, tendo comemorado, dia 15 de abril, 107 anos de existência! A festa de seu aniversário contou com a presença de 07 bandas das cidades de Campo Belo, Timóteo, Catas Altas, Ouro Preto, Mariana, Santa Bárbara e Sabará. Uma banda visitante para cada ano vivido após pó seu centenário!
É comum se dizer que todo mineiro tem um trem de ferro nos olhos, uma Banda de música tocando nos  ouvidos e a cor das montanhas nas veias... Em Barão de Cocais não é diferente... O trem de ferro apita nas curvas, a cor do  minério  de suas muitas montanhas tinge os pés e as almas dos cocaienses e a Banda de Música tem lugar de honra nas praças e nos corações de muitos!
Um dia, em 2007 a Banda Santa Cecília tocou em minha homenagem. Era minha posse na AMULMIG e eu recebia, oficialmente, a imortalidade dos acadêmicos e a “VALSA PARA REGINA CÉLIA” Muitas emoções.
Por fim, um dia, a tuba do Serafim abrigou um gato e a melodia nascida no coreto do jardim ganhou miados  sofridos que repicam, ainda, alegres e memoráveis  notas dos seus cantantes.Mas todo domingo havia banda no coreto...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Alma em Plumas



Uma vida é um pulsar frenético dos pulmões e do coração. Tive, certo tempo atrás, uma vida em minhas mãos... Um nada, um nadica sem peso nem tamanho, uma pequenina alma revestida de uma plumagem indescritivelmente colorida.

Um beija-flor.

 Vítima de um acidente de percurso, tombou mortalmente ferido e por horas teve o socorro e a atenção possíveis de alma semelhante, que ama a natureza o céu e a liberdade...

Algumas gotas de néctar e a vida volta a pulsar. Respiração ofegante e alma desprendendo das penas, a morte ronda paciente aquele nada que roubou minhas horas e meu sono. Resistia, ameaçava voar, cansava-se, dormia...E meu olhar atento já amava aqueles olhinhos redondos que, às vezes, buscavam reconhecimento do ambiente que lhes era estranho.

Ao prenúncio do dia dera sinais de despertar. Pus-me a contemplá-lo com ternura e a mim, parecia estar bem.

 Pregara-me uma peça.

Pela manhã apenas as plumas repousavam sobre a caixinha marrom. A alma se desprendera com o raiar do sol e eu nunca mais serei capaz de olhar um beija-flor com os mesmos olhos que os viam antes. Sei agora que são apenas lindas almas que voam e que precisam de doçura para seguir seu rumo. Ternura não lhes basta. Meus olhos têm sabor salgado de lágrimas

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*Ao receber uma mensagem de João Candido, lembrei-me de um fato ocorrido e registrado que agora volto a expor. Obrigada João!! Texto recuperado. Escrito e publicado por mim em algum lugar e tempo passados. Atualizado para o blog.